Baluartes

2018


Baluartes, 2018
Projeto desenvolvido no âmbito do Festival A Salto: Tomada Artística da Cidade de Elvas.

Elvas distingue-se pelas suas fortificações, contendo a maior fortificação abaluartada existente no mundo, construída para defender a cidade contra os primeiros explosivos e a artilharia mais poderosa da época. Com o desenvolvimento da artilharia, quase todas as grandes fortificações tornaram-se obsoletas. Castelos e baluartes são agora conceitos distantes de abrigo, pertencentes a um espaço para nós romântico, ficcionalizado. Na era moderna estes deram lugar a bunkers e abrigos nucleares, último reduto para a sobrevivência, representantes de um caminho em direção a fortificações de pequena dimensão. Num tempo de mudança, de separação, de viragem para o individualismo e de crise de espaço, a questão que se coloca é: o que resta? Que receios construirão as fortalezas do futuro?
Para o Festival A Salto propõe-se a construção de um conjunto de refúgios prateados espalhados pela cidade. Serão “fortificações” dentro de outra fortificação. Estes pequenos abrigos públicos servirão simultaneamente de proteção ao sol, de brincadeira para os mais novos e de estranhamento. Pretende-se abordar o passado histórico de Elvas através de uma retoma do símbolo e objeto da fortaleza, aqui imbuido de referências relacionadas com a ficção científica, criando uma ponte entre passado e futuro. Procura-se a associação entre a antiguidade e a magnitude da fortaleza com a a antecipação e vulnerabilidade do futuro, através de um objeto que conecta dimensões da realidade e da ficção, da familiaridade e da estranheza.




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Nenhures — Rafaela Nunes
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