ASTRO TURF 



Astro Turf sugere um terreno espacial, um relvado cósmico. O espaço, a última barreira. O último território por conquistar, a terra, (ainda) de todos, pelo menos para imaginar. É, aliás, dos terrenos mais férteis para a fantasia, pois é do espaço que imaginamos que originam as coisas e criaturas mais estranhas e alienígenas. É lugar de refúgio, de escape, de possibilidade de viver vidas e mundos para além dos nossos.

Astro Turf é também, na verdade, o nome da marca do primeiro relvado artificial que foi inventado. Uma alternativa cómoda ao relvado natural, de fácil manutenção e apelativa, não precisando de uma rega intensa, de poda e de cuidados constantes. É um artifício que existe em substituição de algo, e que a simula para convenientemente ocupar os pequenos, e necessariamente práticos, jardins urbanos.

O conjunto de obras que é apresentado nesta exposição situa-se precisamente entre o território utópico de relvado espacial e a simulação precária desse mesmo sonho.
Mostram-se pequenos espaços íntimos dentro e fora da tela, em que o universo das pinturas irrompe pelos espaços labirínticos interiores e exteriores da Safra, pela sua selva urbana, criando aparições sobrenaturais de bichos, coisas e lugares invulgares.

É neste território intersticial e mágico que somos convidados a adentrar, populado por seres apotropaicos com histórias insinuadas. Inseridos em situações inóspitas em sítios sublimes, estes seres surgem como amuletos expiatórios contra algum presságio obscuro, irrepresentável e oculto além dos limites do quadro.

Imersos em luzes, sons, plantas, lagos, sorrisos, fotos, flores, sabores  e outras coisas artificiais do nosso quotidiano, imaginamos pradarias de confortáveis relvados verdes e bichos amorosos, mas quando nos sentamos o chão afinal é áspero e tem bichos, mas não os que nós queríamos. Resta-nos brincar ao faz de conta.

— Rafaela Nunes, 2021

Exposição patente até dia 29 de outubro de 2021 no Espaço Amorpho/Safra, no Lumiar, Lisboa.
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Nenhures — Rafaela Nunes
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